terça-feira, 5 de outubro de 2004

Rascunho

Numa tarde escura de um outubro brilhante
a verdade se esvai como a fumaça sem fogo
luz e trevas enfraquecidas pela palidez do dia
cada mudança de tom revela uma cor fora do lugar
as ruas desertas enchem-se de silêncio
revoada em disparada de uma jornada sem estrada

E daí se ninguém viu o tempo passar de novo
quem parece se importar com os olhos fechados
os nefastos sorriem com a morte do instinto coletivo.

terça-feira, 27 de julho de 2004

Apelo

Tanta coisa ao redor
você não sabe aonde ir

tantos caminhos pra escolher

o difícil é decidir

Você é o que você fez
o passado se faz presente
em tudo que vem pela frente

por mais voltas que o mundo dê

você vai ter que escolher
e enfim você verá
que não é fácil voar
sem as asas que te dei

e agora, me diz:
pra onde você vai sem mim?

quem vai lhe dizer que sim?

quem lhe fará sonhar?

fica aqui que eu vou lhe falar
até onde a gente pode chegar
com a lua e o sol no lugar certo

você aqui do meu lado bem perto

assim eu vou lhe mostrar

uma nova definição de amar


Por mais voltas que o mundo dê

você vai ter que perceber
nessa hora você verá

que não sou nada sem você

quarta-feira, 14 de abril de 2004

Vôo

Tocada em sua parte mais tensa
Alçou vôo sem direção
Girou sobre si mesma
E retornou à posição.

Decaiu por um descuido
Trazendo incertos olhares
Tirando fora a poeira
Ainda sem tocar o firme.

Levada a última vez ao alto
De pronto veio ao chão
Chegando ao concreto indiferente
à sua antiga condição.

Volta a vida no velho cajueiro
Já a folha desgarrada
Agora está desamparada.

sexta-feira, 19 de março de 2004

Fica

Vem cá, fala a verdade pra mim
O que é que você me diz
quando me olha assim?
Amor é que não lhe condiz

Então vai lá e volta
que eu solto a sua mão
e não diga que assim não ajudo

Vem cá, pode entrar e fecha a porta
Sou seu de braços abertos
Mas quando for a hora de ir
Não caia a lágrima, lhe faço sorrir

A mala está pronta
jantar tem aí
Com tudo pronto
Se quiser pode ir

Mas me deixa um beijo
no rosto
De hoje em diante
seremos amigos
em opostos sentidos

Não vou dizer adeus
Não vou me despedir
Afinal todos sabem
que foi você quem quis partir

quinta-feira, 18 de março de 2004

Pensamento

A maior contribuição da fotografia
foi permitir ao homem ver a si
mesmo de olhos fechados.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004

Vem de leve

Qual é?
O que é que você quer
falando alto assim?
Tá pensando o que
Que veio aqui pra me bater?

Pode esperar, segura a onda
Você não é melhor que ninguém
Chegar aqui pra botar banca
Não é bom pra sua moral
Na moral

Pega leve
Pega leve
Pega leve

Aproveita que dá pra voltar atrás
Não traz essa arrogância que cansa
Nessa ânsia de ser mais do que é
Não é? Vê se aprende a esperar
Pra não errar na hora de julgar
Não é bom pra sua moral
Na moral

Pega leve
Pega leve
Pega leve

Acho que já deu pra entender
que o problema não sou eu, é você
Se é assim você vai me perder
Você diz que isso é amor
não dá pra saber
Porque quem gosta respeita
É só vir na moral
que eu pego leve.

Pega leve
Pega leve
Pega leve

domingo, 25 de janeiro de 2004

O Céu

Juntando os fragmentos...


Vou montar no meu cavalo alado,
alado
e voar, voar
até onde o sol se esconde no céu
Pra onde vc foi encontrar as estrelas
e deixou, deixou
no meu peito um amor
que não me abandonou

Ganhei as asas de Cícero
Mas não venci o sol
que ofuscou o meu desejo
até voltar ao chão

O perfume das Rosas
que o vento trouxe
Fui catar no ar
quando saltei pra lhe alcançar

O que vai e o vento leva
só encontra quem tem sorte
e você sabe muito bem
o revés desse amor

quinta-feira, 22 de janeiro de 2004

Me diz

Eu cheguei bem perto
De saber o que quero de mim
No que faço nada é certo
Mas à noite eu vou até aí... te ver

Pra descobrir o que sou
Voltar a enxergar à frente
E deixar o que foi pra trás

Se eu não sei o que quero
Como voltar pra você
Mas hoje eu vou até aí... te ver

Pra descobrir o que sou
Voltar a enxergar à frente
E deixar o que foi pra trás

E assim eu espero
Que você possa me dizer
Com toda certeza
Se ainda te quero

Poesia

Luzeiro - três contos peregrinos,
lançado em 2003 na livraria Sabor dos Saberes.

Leia abaixo um trecho do poema Romaria:

"Lá me vou com minha cruz:
são poucos beiços de açude
e tantas léguas tiranas.
Maior e vária é esta sede"

José Inácio Vieira de Melo

quarta-feira, 21 de janeiro de 2004

Então veio

Eu fui até onde não se pode imaginar
atravessei a cidade na hora do rush
debaixo de chuva

Encontrei o que não procurava
quando você disse o que não devia
alí, longe de casa quem abriu mão fui eu

O que quer que tenha dito não entendi
o que quer que tenha feito não valeu
onde quer que tenha ido, foste sozinha

É uma pena saber que você e eu
somos menos, muito menos
do que algum dia imaginamos
mas o fim parece bom
quando as lágrimas se misturam com a chuva

O que cai e o vento leva
só encontra quem tem sorte
e você sabe muito bem
o revés do nosso amor

O que quer que tenha dito não entendi
o que quer que tenha feito não valeu
onde quer que tenha ido, foste sozinha

Agora vai e fica
que eu volto pra longe de você
E ficamos assim: eu cá e vc aí.

Irradia dor

O amor é a tal ponto desamor
que chega a provocar dor
Um não vem sem o outro
O refletido e o refratado
Partes inseparáveis do mesmo lado

O amor é irradia-dor
Leva consigo pra onde for
a sua companheira
Dor
Aviso:

É... meu plano de atualizar todos os dias, exceto no sábado ou domingo não foi seguido à risca. Entretanto estou eu aqui para garantir a atualização.

sábado, 17 de janeiro de 2004

Não Saber

Vem me separar da indiferença
Fazer-se presente na descrença
Qual dúvida bate em meu peito?
O indecifrável burburinho que queima.

Responda quem quiser
Eu já nem sei o que é
O certo é que já procuro
Uma outra mulher.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2004

Esmola

Vês aquele emaranhado na esquina?
Sou eu jogado, escondido, morto
Enrolado em minha própria piedade
Minha paixão é o fim do poço.

Agora que me enxergas, tem compaixão
Mas não chegues perto do meu chão
Lança-me terna e carinhosa apenas
um condescendente olhar de pena.

Catavento

O perfume das Rosas
que o vento trouxe
Fui catar no ar
quando saltei pra te alcançar

quarta-feira, 14 de janeiro de 2004

Temas em debate:

RELIGIÃO

No nosso estado
Deus é o grande Rei
Mas a monarquia é parlamentarista
Quem manda é o Primeiro Ministro

Paraíso

Não me ajude a levantar
Sou só um bêbado
Tentando chorar as mágoas
Mas as lágrimas não caem

Quando o amor não faz mais sentido
Qual a razão de qualquer sentimento?

Em primeiro vem sempre o amor
Depois do amor vem a dor
E, destes dois: Adão e Eva
Descende todo o resto

Se já não há amor, não haverá dor
E do que não existe, nada descenderá
E é assim que sempre será
A dor é de Adão e o amor é Eva