quarta-feira, 9 de junho de 2010

Grandes Expectativas

Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós, íamos todos direto para o Paraíso, íamos todos no sentido contrário - em suma, o período era em tal medida semelhante ao presente que algumas de suas mais ruidosas autoridades insistiram em seu recebimento, para o bem ou para o mal, apenas no grau superlativo de comparação.

O primeiro parágrafo de Um Conto de Duas Cidades, de Charles Dickens, é a mais genial abertura de um romance que eu já tenha lido.

Sempre quis escrever um livro. Mas além de faltar leitura e talento pra isso, coloco-me na obrigação de começar tão bem quanto Dickens. Isso claro, inviabilizou toda e qualquer tentativa.

Para o bem ou para o mal, muita gente não está nem aí pra isso. A produção literária então prossegue. Um dos maiores vendedores de livros do planeta, aparentemente, nunca tentou superar Dickens em nada. Vive sob porrada da crítica especializada. Paulo Coelho é desses. Não está nem aí e dá resultado.

Copa
A Copa do Mundo começa neste dia 10. Pena dos 30% ou menos dos brasileiros que odeiam futebol e serão sufocados pelo tema até meados de julho. Contudo, existem milhões de boleiros que só pensam na Copa, e há meses. E é isso, quando o assunto é Seleção Brasileira, surgem milhões de especialistas.

Sim, mas o que tem literatura a ver com futebol? Bom, se eu fosse técnico da Seleção Brasileira, ela teria que ser melhor do que as que participaram do Tri e de 1982. Sem isso, não poderia treinar a equipe que deve representar todo o Brasil. Ela seria talentosa, com vocação pro ataque, pro passe, drible e golaços.

Dunga não pensa assim. Pelo resultado, não tem problemas em conter o talento em nome da aplicação tática. Poderá vencer a copa assim. Com um time estilo 94, sem Bebeto e Romário. Mesmo surrado pelos críticos, poderá, sim, conquistar o mundo, como Paulo Coelho.

Willow

Iluda-me


Eu não digo que só penso em
você

Se você não disser que não
me quer

Assim continuo com a ilusão de que
há reciprocidade

Nos sonhos, tudo posso, sem culpa
e sem remorsos

Confundir diálogos, passos e ser
o vencedor

Recolho as pistas, fecho o caso e
beijo você

Acordar
é outra realidade