domingo, 25 de julho de 2010

Libertação


E se eu beijasse você
O mundo encararia crítico
E você, o que faria?
A vida é todo esse incômodo

Os pecados são todos meus
promessas que fiz, quebradas
uma aposta arriscada
A vida lá fora gritando não

E um tecido de lã mal costurado
Recurso forçado pra lembrar seu nome
Um poema pra extirpar o desejo
E ficar de bem com o mundo inteiro

Enfim, escondo-me da vontade
E me rendo ao que parece certo

domingo, 18 de julho de 2010

Grito de Alerta


Acho esse trecho de Grito de Alerta, de Gonzaguinha, simplesmente genial:

Veja bem!
Nosso caso
É uma porta entreaberta
E eu busquei
A palavra mais certa
Vê se entende
O meu grito de alerta
Veja bem!
É o amor agitando o meu coração
Há um lado carente
Dizendo que sim
E essa vida dá gente
Gritando que não...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Grandes Expectativas

Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós, íamos todos direto para o Paraíso, íamos todos no sentido contrário - em suma, o período era em tal medida semelhante ao presente que algumas de suas mais ruidosas autoridades insistiram em seu recebimento, para o bem ou para o mal, apenas no grau superlativo de comparação.

O primeiro parágrafo de Um Conto de Duas Cidades, de Charles Dickens, é a mais genial abertura de um romance que eu já tenha lido.

Sempre quis escrever um livro. Mas além de faltar leitura e talento pra isso, coloco-me na obrigação de começar tão bem quanto Dickens. Isso claro, inviabilizou toda e qualquer tentativa.

Para o bem ou para o mal, muita gente não está nem aí pra isso. A produção literária então prossegue. Um dos maiores vendedores de livros do planeta, aparentemente, nunca tentou superar Dickens em nada. Vive sob porrada da crítica especializada. Paulo Coelho é desses. Não está nem aí e dá resultado.

Copa
A Copa do Mundo começa neste dia 10. Pena dos 30% ou menos dos brasileiros que odeiam futebol e serão sufocados pelo tema até meados de julho. Contudo, existem milhões de boleiros que só pensam na Copa, e há meses. E é isso, quando o assunto é Seleção Brasileira, surgem milhões de especialistas.

Sim, mas o que tem literatura a ver com futebol? Bom, se eu fosse técnico da Seleção Brasileira, ela teria que ser melhor do que as que participaram do Tri e de 1982. Sem isso, não poderia treinar a equipe que deve representar todo o Brasil. Ela seria talentosa, com vocação pro ataque, pro passe, drible e golaços.

Dunga não pensa assim. Pelo resultado, não tem problemas em conter o talento em nome da aplicação tática. Poderá vencer a copa assim. Com um time estilo 94, sem Bebeto e Romário. Mesmo surrado pelos críticos, poderá, sim, conquistar o mundo, como Paulo Coelho.

Willow

Iluda-me


Eu não digo que só penso em
você

Se você não disser que não
me quer

Assim continuo com a ilusão de que
há reciprocidade

Nos sonhos, tudo posso, sem culpa
e sem remorsos

Confundir diálogos, passos e ser
o vencedor

Recolho as pistas, fecho o caso e
beijo você

Acordar
é outra realidade

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O apanhador da brisa

E o menino indagou à mãe:
A praia comigo não posso levar
Muita areia, água e bichinhos a nadar

Mas e essa brisa que vem de lá
Não é tão grande eu te digo
Em pouco tempo ela passa
Sinto-a do breve início ao fim
Por que não posso tê-la comigo?

A mãe respondeu que se tão depressa passa
Como iria o menino convidá-la
Para que fosse com ele aonde quisesse?

Preciso apenas carregá-la comigo, mamãe
Para que conhecer a vontade da brisa?

Porque só é brisa se vai aonde quer
Aprisionada às vontades, entre paredes
Será um sopro de vento qualquer

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sol de maio

Sol de maio
e a chuva que não passou
Estiagem frágil
que nos tirou o cobertor

Vento forte na vela
mar revolto pro motor
Assim sem leme, sem remo
num céu sem estrelas

Entre o leste e oeste
ficamos sem um norte
Seguimos mar abaixo
terra a vista

Mas agora que você não me escutou
Eu sei o que, de fato, nos levou
Pro outro lado, pra longe do mar
Para acabar de vez o que nos tomou
de azar... pra que brigar?

. . .

O mar não vai nos salvar
a praia está imprópria pra nadar
O barco a deriva vai naufragar

domingo, 16 de maio de 2010

Partilha

Longe de casa, as manhãs são mais tristes
Café, pão, suco e o silêncio da cozinha
Há tilintar, não há vozes
Companhia da música no notebook
Melancolia que vem, incompleta
Só a saudade e a distância a fazerem chorar
O amor correspondido

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ele

Ele não sabia o que viria
Ela nem sabia que ele viria
Ele contentava-se com nada
Ela nada com isso tinha
Ele parecia não sentir
Ela nem por isso aparecia
Ele se encontrou com ela
Ela o encontrou também
Ele estava sempre à espera
Ela sempre esteve em outras
Ele fantasiava
Ela se divertia
Era amizade de noite vadia
Não era vazia a amizade que nutria
Ele, se queria mais, escondia
Ela não queria mais, sabia-se
Ela nunca soube o que foi
Ele nunca resolveu o que era
Ela seguiu a própria trilha
Ele apenas seguiu
Veja bem, meu bem
Sentado ao piano bar
Nem a solidão o quis

sábado, 6 de fevereiro de 2010

E a tevê renasceu

A última temporada de uma das séries mais comentadas da história começou. Lost voltou para que possam ser encontradas as respostas para os mistérios criados por J. J. Abrams, Damon Lindelof, Carlton Cuse e Jeffrey Lieber.

Aos críticos de Lost, tenham certeza, esses caras não sabiam onde iriam chegar. Nem todos os enigmas serão respondidos satisfatoriamente. Mas, acompanhar os passados, presentes e futuros (sim, todos no plural) dos sobreviventes do voo 815 da Oceanic Air, por si só, é um entretenimento de altíssimo nível. E é, sem dúvida, um marco na produção audiovisual no mundo.

Assim é o drama
Não é a presença de ursos polares numa ilha tropical, que se move no tempo/espaço, monstro de fumaça, cura de doenças e tantas outras loucuras que fazem de Lost um programa instigante. Mais uma vez, como quase sempre, é o drama humano, as transformações na vida de pessoas que seriam ordinariamente tristes e insignificantes, caso não se perdessem num mundo novo e terrivelmente incompreensível. Até 23 de maio de 2010.

No aspecto técnico, pouquíssimas produções brasileiras podem se comparar. A narrativa é sempre surpreendente. Acostumaram a audiência aos flashbacks (cenas do passado), para no final da terceira temporada estapeá-la com um flashforward (cena do futuro), revelando que alguns persongens haviam deixado a ilha (WTF!) (porra, como assim?).

Alerta de spoiller
A sexta e última temporada nos apresenta a mais uma novidade: os flash-sideways. Só vendo, pra não estragar. Lost termina em 2010, depois de presentear os fãs de tevê, com uma excelente e fantástica história, que costurou de maneira eficaz (mesmo com altos e baixos) ciência, mitologia, romance, tragédia e humor. Além de viagens no tempo, deuses egípcios, comunicação com os mortos, física, matemática, mundos paralelos e ressurreição.

Vermelho

E que feche o sinal
Que estoure o trânsito
chegar logo não me trará
mais cedo pra casa

Nada resolve esse conflito
de gerações

Não há paz, não há remédio
Somos todo esse imbróglio

E a solução... o fim do que vem lá