quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Panopticon

Eu sei que você me vê
Porque daqui eu a escuto
Eu também vejo você
Que agora me ouvirá

Como haveria de terminar
o que já pelo fim começou?
Um final infeliz no primeiro ato
História sem continuação, sem desfecho
só o rompimento: abrupto
distante e calado
Seco, amargo e triste.

Das palavras não ditas
Qual de fato se perderá?

E assim ficamos, eu cá
e você aí.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

A sentença

O quanto pese a mão de Deus
no julgamento dos atos espúrios
o que resta é clamar

Branda seja a ira da destra
clemente seja a sentença

Há decerto que expiar
o mal que então causou

Diante do martelo
nunca se viu tão só
não abandonado
mas abandonou-se

Sabes já a sua pena
exceto o tempo a durar
Aí está: pior castigo