quinta-feira, 23 de outubro de 2003

Homem Cartesiano

Talvez a poesia novamente floresça
Ou pelo menos a vontade de escrever
Se a poesia vem do sofrer
Eis que surge o momento propício

Talvez não haja inspiração
Mas não se pode negar que há sentimento

Não é alegria, nem mesmo contentamento
O sentimento-pai é o sofrimento
A perda que faz chorar a pena
A falta que faz aflorar a confissão

Dessa vez porém, o amor não vencerá
O coração não terá vez no mundo que construí
As luzes que tanto iluminaram, agora cegam

Serei o Homem Cartesiano: raso e plano
Penso e logo existo, darei cabo ao sentir
As palavras que aqui escorrem, lavam a alma

A maldição do papel é carregar o segredo
Que poderá ser descoberto, nunca revelado